Assista aqui o FASHION TALK -Mercado de Luxo com Patricia Diniz

Atualizado: Jun 8

    Convidamos Patricia Diniz para um bate-papo sobre o Mercado de Moda de Luxo.

  Com 20 anos de experiência nos segmentos de Beleza, Moda e Luxo, atuou em Marketing e Gestão em multinacionais como LVMH, YSL Beauté, Gucci Group e Elizabeth Arden, no Brasil, América Latina e Europa. É formada em Publicidade pela UFRJ, com MBA em Marketing pela PUC-RJ e especializações em Gestão Empresarial (Portugal) e Fashion Business (IED-SP).

   Atualmente está à frente da Consultoria que leva seu nome, onde atende clientes de diversos segmentos. Também é professora em vários cursos da ESPM, dentre eles o programa de Marketing e Branding do Luxo da Vogue Condé Nast,

além de ministrar palestras e workshops in-company.


  N.evsky: Quando falamos de moda de luxo e mercado brasileiro, vamos direto para a antiga Daslu, na Vila Nova Conceição. Acaba sendo a referência de onde encontrávamos produtos de moda das melhores marcas de luxo internacionais. Hoje, temos a Farfetch, operando super bem no nosso Mercado, além de marcas internacionais que operam aqui com lojas e escritórios, como o caso da Gucci, Dolce e Gabbana, Louis Vuitton, Prada, entre outras. Parece que o Brasil passou a ser um must-be dessas empresas de luxo globais. Ao mesmo tempo, a falsificação, a variação cambial, a instabilidade política, pandemia , tudo isso, fragiliza muito o mercado como um todo. Você que atua neste mercado há mais de 20 anos, o que aconteceu com o mercado de luxo no Brasil e no mundo?


  Patricia: " O mercado de luxo sofreu muitas transformações ao longo do tempo. Durante muito tempo e até a primeira metade do século passado, só eram considerados produtos de luxo, aqueles que eram produzidos pelas grandes maisons, que tinham um componente artesanal muito forte. A procedência desses produtos era importante, e eles era inacessíveis para a maioria das pessoas. Somente uma pequena parcela privilegiada da população tinha acesso a esses produtos.

  Quando falamos de moda especificamente, nos referimos as grandes casas de alta costura, principalmente as francesas e italianas. Só que muita coisa mudou de lá para cá, começando pelas ocasiões! Os eventos, onde eram possíveis usar vestidos de alta-costura, diminuíram muito! E é chegado um momento, onde as marcas de luxo percebem que não seria possível se manter somente com este nicho específico de clientes. Para terem uma idéia, há estudos que afirmam, que na metade do século passado haviam 15mil clientes de alta-costura no mundo todo, e na primeira década desse século haviam 1,5mil! Ou seja, o equivalente a 10%! Então, como sobreviver a uma situação como essa?


"Categorias como óculos, acessórios, perfumes & cosméticos passaram a ser a "ponta" mais acessível de uma marca de luxo! Cada uma dessas categorias, contribui muito para o resultado dos negócios, sem elas, o luxo não existiria!" Patricia Diniz

  A solução que as marcas encontraram, foi aproveitar os seus nomes "fortes" e expandir para outras categorias de produto mais acessíveis. Categorias como óculos, acessórios, perfumes & cosméticos passaram a ser a "ponta" mais acessível de uma marca de luxo! Cada uma dessas categorias, contribui muito para o resultado dos negócios, sem elas, o luxo não existiria! Mas, é importante reforçar, que o desejo por essas categorias de entrada de preço somente existe, pois existe o investimento nos desfiles de alta-costura, é um ciclo virtuoso onde uma parte não existe sem a outra.

  O mercado cresceu muito no mundo todo, principalmente nos países emergentes como China, Rússia e Brasil. Existem algumas características muito interessantes, uma delas, é que há um peso grande dos consumidores chineses, mais de 30% das compras de produtos de luxo são feitas por chineses. No momento atual, o consumo está mais local, em virtude da ausência de viagens. As lojas estão reabrindo na Europa, e a ausência destes consumidores está afetando a retomada das vendas, isso está diretamente ligado a uma dificuldade geográfica de locomoção.

  Outro ponto que gostaria de mencionar, é que somente 12% do mercado de luxo como um todo, é representado por vendas on-line, as marcas foram muito reticentes a entrar nesse canal, e agora há uma necessidade imediata de aceleração digital.



" Somente 12% do mercado de luxo como um todo, é representado por vendas on-line, as marcas foram muito reticentes a entrar nesse canal, e agora há uma necessidade imediata de aceleração digital". Patricia Diniz

  O terceiro ponto que gostaria de destacar, é que 1/3 destas compras são feitas pelos Millennials! As marcas demoraram muito para perceber que os consumidores tradicionais de produtos de luxo estavam envelhecendo! Portanto, nos últimos 5 anos, percebemos o aumento da comunicação direta dessas marcas com este público, afim de conquistar esse consumidor mais jovem, que às vezes, nem é necessariamente um comprador, mas sim, um grande influenciador para as marcas! E é então, que começamos a ver alguns movimentos, como marcas abraçando o conceito de streetwear, a partir de collabs com designers, como Virgil Abloh e marcas como Supreme. Essa foi uma maneira que estas marcas encontraram para falar diretamente com esse público"




Para assistir o Talk na íntegra, clique no vídeo abaixo.







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  @ N.EVSKY